Diplomacia é o caminho para preservação da democracia

Mário Machado da Silva Filho, Diretor de Pesquisa do Instituto Montese



As democracias ocidentais passam por um período de polarização e as redes sociais contribuem para o recrudescimento desse debate ao alimentar e ecoar teorias conspiratórias inflamatórias e posições políticas agressivas que lutam para inviabilizar qualquer forma de acordo ou compromisso. Esse cenário esgaça o tecido social e tem, especial, efeito deletério sobre os processos eleitorais, o que é essencialmente perigoso para democracias que por sua natureza aberta, incentivam e protegem a livre expressão de opiniões e, por isso encontram muita complexidade legislativa para conseguir uma forma de responder a ameaça sem minar a liberdade de expressão.


No campo da Política Externa as novas tecnologias aliadas ao crescente papel da diplomacia presidencial, ou do chefe de governo, tem o viés de personalizar o debate internacional e cada vez mais comuns são as crises de opinião pública provocadas por declarações de líderes em suas redes. Agora mesmo o leitor enquanto lia enumerou na sua cabeça uma série de declarações infelizes cujas consequências ainda se fazem sentir.


Diante desse cenário em que a democracia tem que ser defendida de ameaças e do potencial para causar problemas da dependência da diplomacia presidencial, a diplomacia deve ter seu papel de organização e construção de regimes internacionais equilibrados e pacíficos reiterado.


Hans Morgenthau ao final da Segunda Guerra Mundial escreveu uma das obras de referência da literatura das Relações Internacionais, “A política entre as nações: a luta pelo poder e pela paz”, publicado, em 1948. E, portanto, marcada pela viva lembrança dos horrores da guerra e pelas incertezas do novo período que nascia, contém lições ainda uteis para pensar a política externa. Sobretudo, as quatro regras fundamentais da diplomacia: i. Diplomacia não deve ter “espírito de cruzada”; ii. Diplomacia deve ser calcada em torno da defesa do Interesse Nacional, da preservação da unidade territorial e das instituições de cada Estado; iii. A diplomacia não pode ser cega aos interesses e condições internas dos outros estados, e: iv. A diplomacia deve estar disposta a ceder em temas não existenciais para o estado.


Esses princípios nos mostram que a defesa da democracia como valor universal, como vimos no começo do século XXI, e o uso da máquina diplomática pra defesa de teses que mais tem a ver com interesses partidários do que com Interesses Nacionais não são bases de uma diplomacia eficiente, mas a defesa das instituições nacionais, de nossa democracia possui um caráter existencial para o estado, por isso a diplomacia contemporânea, precisa ser criativa e diligente, para gerar arranjos que protejam nossas democracias, de ataques e manipulações externas.

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